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Euribor volta a subir: o que muda para quem vai comprar casa

7 Nov 2026 · 3 min
Euribor volta a subir: o que muda para quem vai comprar casa

Depois de um período em que as prestações da casa desceram, a tendência inverteu-se. A Euribor está outra vez a subir e, no início de novembro, a taxa a três meses chegou a 2,714%, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Para quem tem crédito com taxa variável, ou está a pensar pedir um, vale a pena perceber o que está a acontecer.

O que está por trás da subida

O Banco Central Europeu subiu as taxas diretoras duas vezes este ano, em junho e em setembro, 25 pontos base de cada vez. A de junho foi a primeira subida desde setembro de 2023, e pôs fim a um ciclo de cortes que tinha começado em junho de 2024.

Na reunião de 29 de outubro, o BCE fez uma pausa e manteve a taxa de depósito em 2,50%. A pausa pode ser curta. A inflação na zona euro está no nível mais alto dos últimos três anos, e a maioria dos analistas consultados pelo próprio BCE espera nova subida de 25 pontos base em dezembro. Há ainda um fator de incerteza institucional: Christine Lagarde anunciou que vai deixar a presidência do banco antes do fim do mandato.

Como a Euribor chega à sua prestação

A Euribor resulta da média das taxas a que um grupo de bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si. Em Portugal, desde janeiro de 2024, o prazo mais usado nos créditos à habitação com taxa variável é o de seis meses. Na data de revisão prevista no contrato, o banco atualiza a taxa, e a prestação acompanha.

Em outubro, a média mensal da Euribor a seis meses subiu para 2,975%. A três meses ficou em 2,635%, e a 12 meses desceu ligeiramente, para 3,239%. As simulações da Deco Proteste apontam para prestações mais altas nos contratos revistos em novembro, seja qual for o prazo do indexante.

O que ponderar antes de pedir crédito

A prestação que o banco apresenta hoje é a de hoje. Num ciclo de subida, faz sentido fazer as contas com uma taxa mais alta do que a atual e confirmar que o orçamento familiar aguenta a diferença.

A taxa fixa e a taxa mista voltam a merecer atenção. Não são automaticamente melhores, mas trocam algum custo inicial por previsibilidade. Na comparação entre propostas, conta a TAEG, e não só o spread, porque é a TAEG que inclui seguros e comissões.

O spread e as condições associadas também se negoceiam. Ter várias propostas na mão, ou recorrer a um intermediário de crédito autorizado, dá margem para isso.

Para quem já tem crédito, o primeiro passo é simples: saber quando é a próxima revisão e que indexante o contrato usa. Com essa informação, é possível antecipar o impacto e falar com o banco antes de a prestação mudar.

Juros mais altos não tornam má uma boa compra. Tornam mais caro comprar sem fazer as contas.

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